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Estante Velhina

Fernanda Maria

Lisboa, estante velhinha
Do teu livro, a Mouraria
Andam a arrancar-te as folhas
Uma a uma, dia a dia

Foste a cartilha do fado
Moirama triste e sincera
Livrinho de apontamentos
Que pertenceu à Severa

Os homens que te mutilam
São como aquelas crianças
Que rasgam sem piedade
Uma agenda de lembranças

És um livrete sem capa
Se teima a destruição
Roubam-te a mais linda página
A Rua do Capelão

Pede a Deus esta ventura
Por muito que tudo mude
Conservem a iluminura
Da Senhora da Saúde

Escrita por: Linhares Barbosa, Alfredo Duarte, Alberto Costa