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Nostalgia de lo que no tuve

Fernanda Porto

Saudade do que não tive

Eu sou da capital
Não vejo o sol nascer
Não vejo o sol se pôr
No braço do quintal

Eu sou da capital
Dias em paredes
Horizontes: céu, mar verde
Em pedra, cimento e cal

Como um lavrador
Na prateleira, eu colho
Frutas maduras verdadeiras
Verdades do meu sol

Eu sou da capital
Difícil conceber
Como pode a parede
O dia amanhecer

E sou da capital
E ainda sem você
Como pode a parede
A noite anoitecer

Eu sou da capital
Difícil supor
Que da prateleira
Possa brotar o sabor

Nostalgia de lo que no tuve

Soy de la capital
No veo el sol salir
No veo el sol ponerse
En el brazo del patio

Soy de la capital
Días en paredes
Horizontes: cielo, mar verde
En piedra, cemento y cal

Como un labrador
En el estante, recojo
Frutas maduras verdaderas
Verdades de mi sol

Soy de la capital
Difícil de concebir
Cómo puede la pared
Amanecer el día

Y soy de la capital
Y aún sin ti
Cómo puede la pared
Anochecer la noche

Soy de la capital
Difícil de suponer
Que del estante
Pueda brotar el sabor

Escrita por: Fernanda Porto