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Confesando

Fernando Maurício

Confessando

Esta carta minha mãe
É o espelho onde o teu filho
Se desnuda totalmente;
O fogo que o vinho tem
Acendeu este rastilho
E a coragem de ser gente

É por ela, sim confesso
Que de segundo a segundo
Bebo a febre de morrer
Mas quando a vires só te peço
Não lhe contes o meu mundo Não lhe dês esse prazer

Neste meu quarto isolado
O vinho que vou bebendo
A sua imagem retém
Sobrevivo neste fado
Muito embora eu a perdendo Continuo a ter-te mãe

Confesando

Esta carta para mi madre
Es el espejo donde tu hijo
Se desnuda por completo;
El fuego que tiene el vino
Encendió esta mecha
Y el coraje de ser humano

Es por ella, sí lo confieso
Que segundo a segundo
Bebo la fiebre de morir
Pero cuando la veas solo te pido
No le cuentes mi mundo
No le des ese placer

En mi habitación aislada
El vino que voy bebiendo
Retiene su imagen
Sobrevivo en este destino
Aunque la esté perdiendo
Sigo teniéndote madre

Escrita por: Alfredo Marceneiro / Jorge Fernando