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Flujo

Filpo Ribeiro e a Feira do Rolo

Vazão

O que eu vou cantar agora
Não é coisa de cidade
Não se aprende em faculdade
O senhor preste atenção
É coisa do sertão
O instrumento é de matuto
Esculpido em pau bruto
Só na base do facão

É um lundu de São Francisco
Um samba de Seu Biano
Uma toada de Humberto
Um coco pernambucano
Um batuqueiro batucando
Um batuque onipresente
É a ciência do repente
No martelo alagoano

Pra quem vê o arco entorta
Pra quem tora é a razão
Da vazão do mundo afora
Das estórias de quem foi
Quem tem boi o gado toca
Quem tem planta rega a seiva
Quando vou, vou de rabeca
A vida é essa que me resta
Tocador

Alumioso, Juazeiro
Um vaqueiro aboiando
Um caiçara fandangueiro
É Rouxinol Paraibano
Um batuqueiro batucando
Um batuque onipresente
É a ciência do repente
No martelo alagoano

Flujo

Lo que voy a cantar ahora
No es cosa de ciudad
No se aprende en la universidad
Señor, preste atención
Es cosa del campo
El instrumento es de campesino
Esculpido en madera bruta
Solo a base de machete

Es un lundú de San Francisco
Un samba de Don Biano
Una tonada de Humberto
Un coco pernambucano
Un percusionista golpeando
Una percusión omnipresente
Es la ciencia del repentismo
En el martillo alagoano

Para quien ve el arco se dobla
Para quien corta es la razón
Del flujo del mundo afuera
De las historias de quien fue
Quien tiene bueyes, guía el ganado
Quien tiene plantas, riega la savia
Cuando voy, voy con la rabeca
La vida es eso que me queda
Intérprete

Alumioso, Juazeiro
Un vaquero cantando al abo
Un pescador bailarín
Es Ruiseñor Paraibano
Un percusionista golpeando
Una percusión omnipresente
Es la ciencia del repentismo
En el martillo alagoano

Escrita por: Filpo Ribeiro