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Ciudadano

Francis Rosa

Cidadão

Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
E me diz desconfiado, tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?
Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar o meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer

Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Pus a massa fiz cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem pra mim toda contente
Pai vou me matricular
Mas me diz um cidadão
Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar
Esta dor doeu mais forte
Por que que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer

Tá vendo aquela igreja moço?
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá sim valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse
Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar

Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar

Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar

Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar

Ciudadano

¿Ves ese edificio, amigo?
Ayudé a levantarlo
Fue un tiempo de aflicción
Eran cuatro transportes
Dos para ir, dos para volver
Hoy, después de que está listo
Miro hacia arriba y me mareo
Pero se me acerca un ciudadano
Y me dice desconfiado, ¿estás ahí admirado
O quieres robar?
Mi domingo está perdido
Voy a casa entristecido
Me dan ganas de beber
Y para aumentar mi tedio
No puedo ni mirar el edificio
Que ayudé a construir

¿Ves esa escuela, amigo?
Yo también trabajé ahí
Casi me rompo la espalda
Puse la mezcla, hice cemento
Ayudé a enyesar
Mi hija inocente
Viene a mí toda contenta
Papá, me voy a matricular
Pero me dice un ciudadano
Niño descalzo en el suelo
Aquí no puedes estudiar
Este dolor dolió más fuerte
¿Por qué dejé el norte?
Me dije a mí mismo
Allá la sequía castigaba, pero lo poco que sembraba
Tenía derecho a comer

¿Ves esa iglesia, amigo?
Donde el padre dice amén
Puse la campana y el badajo
Llené mi mano de callos
Ahí también trabajé
Ahí sí valió la pena
Hay feria, hay novena
Y el padre me deja entrar
Fue ahí donde Cristo me dijo
Chico, deja de tonterías
No te dejes amedrentar

Fui yo quien creó la tierra
Llené el río, hice la sierra
No dejé nada faltar
Hoy el hombre creó alas
Y en la mayoría de las casas
Yo tampoco puedo entrar

Fui yo quien creó la tierra
Llené el río, hice la sierra
No dejé nada faltar

Hoy el hombre creó alas
Y en la mayoría de las casas
Yo tampoco puedo entrar

Escrita por: Lucio Barbosa