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Meu Buenos Aires Querido

Francisco Alves

Meu Buenos Aires distante
Quando eu de novo avistar
Serei feliz neste instante

A luz da Lua do arrabalde em que nasci
É testemunha de mil promessas de amor
E à tua luz, suave dor que eu encontrei
Aqueles olhos de raríssimo fulgor

E quando, um dia, eu regressar ao meu país
Como andorinha que regressa no verão
Tenho certeza que, então feliz
Dentro do peito baterá meu coração

Meu Buenos Aires, terra florida
Terra querida, cheia de amor
Ao teu abrigo não há enganos
Passam os anos, esquece a dor

Passam em bandos as lindas esperanças
Chegam lembranças de doce emoção
E ao lembrar-te, minha cidade
Foge a saudade do meu coração

Quero rever o roseiral do meu jardim
Que abre as flores pelas noites de luar
E a janelinha azul da rua em que eu nasci
Onde, de tarde, o meu amor vem debruçar

Nas noites claras quero ouvir uma canção
Que algum boêmio canta ao som do violão
E, em horas mortas, quero escutar
Um bandoneon que passa longe, a soluçar

Meu Buenos Aires distante
Quando eu de novo avistar
Serei feliz neste instante

Escrita por: Carlos Gardel, Alfredo Le Pera, Versão: João de Barro (Braguinha)