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Carta a un Extraño

Frederico

Carta a um Estranho

Hoje eu escrevi uma carta a um estranho
Sem perceber fiz de você mais um estranho

E é estranho
Que eu nem saiba mais o que dizer
Quando eu te vejo, nem parece você
Não falo das roupas
Nem do cheiro, sei lá
Talvez seja o olhar
Que não sorri mais igual
Quando me vê

Não me entenda mal
Não fale nada
Não mudou nada aqui
Escrevo pra ver se uma hora eu entendo
E deixo ir embora o que já não pertence aqui dentro
Sem medo

Hoje eu escrevi uma carta a um estranho
Tão estranho
Que eu costumava completar suas frases
Dividir fins de tarde
E agora eu nem sei
Como passam seus dias
Onde passa seu olhar
O pior é esse olhar
Que não sorri mais igual
Quando me vê

Não me entenda mal
Não fale nada
Não mudou nada aqui
Escrevo pra ver se uma hora eu entendo
E deixo ir embora o que já não pertence aqui dentro
Sem medo

Não me entenda mal
Não fale nada
Não mudou nada aqui
Escrevo pra ver se uma hora eu entendo
E deixo ir embora o que já não pertence aqui dentro
Faz tempo

Carta a un Extraño

Hoy escribí una carta a un extraño
Sin darme cuenta, te convertí en otro extraño

Y es extraño
Que ya no sepa qué decir
Cuando te veo, ni siquiera pareces tú
No hablo de la ropa
Ni del olor, no sé
Tal vez sea la mirada
Que ya no sonríe igual
Cuando me ve

No me malinterpretes
No digas nada
Aquí nada ha cambiado
Escribo para ver si en algún momento entiendo
Y dejo ir lo que ya no pertenece aquí adentro
Sin miedo

Hoy escribí una carta a un extraño
Tan extraño
Que solía completar tus frases
Compartir fines de tarde
Y ahora ni siquiera sé
Cómo pasan tus días
Dónde va tu mirada
Lo peor es esa mirada
Que ya no sonríe igual
Cuando me ve

No me malinterpretes
No digas nada
Aquí nada ha cambiado
Escribo para ver si en algún momento entiendo
Y dejo ir lo que ya no pertenece aquí adentro
Sin miedo

No me malinterpretes
No digas nada
Aquí nada ha cambiado
Escribo para ver si en algún momento entiendo
Y dejo ir lo que ya no pertenece aquí adentro
Hace tiempo

Escrita por: Frederico