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A Viola Do Meu Pai

Frota Sertanejo

Dezembro chegou, mas a luz aqui sumiu
O vazio na casa é o que restou, o silêncio que ficou
Tem um par de botas perto da porta, mas o dono não vem mais
Aquele cheiro de café forte, sumiu de vez
Eu pego o telefone, chego a discar o número de cor
Lembro que a chamada agora, só vai pro Senhor não atende mais

Pai, a saudade é um nó que não desata
É chuva caindo no telhado, é a vida que se maltrata
A sua cadeira de balanço está aqui, ninguém senta nela não
Porque o dono do abraço mais forte, virou estrela no sertão
Eu não choro por perder, eu choro é por não te ter
O meu herói de alma simples, o que a vida ensinou a viver

Ontem eu fui lá no quintal, onde a gente plantava
O chão tá rachado, parece que a terra também chorava
Eu peguei aquela viola velha que o senhor gostava de tocar
Mas o meu dedo não acha o acorde, o meu som não sabe te encontrar
Toda história de vida agora tem um ponto final
O meu porto seguro, virou o maior temporal

Pai, a saudade é um nó que não desata
É chuva caindo no telhado, é a vida que se maltrata
A sua cadeira de balanço está aqui, ninguém senta nela não
Porque o dono do abraço mais forte, virou estrela no sertão
Eu não choro por perder, eu choro é por não te ter
O meu herói de alma simples, o que a vida ensinou a viver

O tempo me diz pra seguir, que é a lei natural
Mas o coração insiste em voltar pra beira do seu varal
A gente não tá preparado pra dizer adeus
Mas o que o senhor deixou em mim, não é de Deus, é mais que Deus

Pai, a saudade é um nó que não desata
O dono do abraço mais forte, virou estrela no sertão
Eu não choro por perder, eu choro é por não te ter
O que a vida ensinou a viver

Escrita por: Adriano Batista Frota