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Hoy (Taiguara)

Gal Costa

Hoje (Taiguara)

Hoje
Trago em meu corpo as marcas do meu tempo
Meu desespero, a vida num momento
A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo...

Hoje
Trago no olhar imagens distorcidas
Cores, viagens, mãos desconhecidas
Trazem a lua, a rua às minhas mãos,

Mas hoje,
As minhas mãos enfraquecidas e vazias
Procuram nuas pelas luas, pelas ruas...
Na solidão das noites frias por você.

Hoje
Homens sem medo aportam no futuro
Eu tenho medo acordo e te procuro
Meu quarto escuro é inerte como a morte

Hoje
Homens de aço esperam da ciência
Eu desespero e abraço a tua ausência
Que é o que me resta, vivo em minha sorte

Sorte
Eu não queria a juventude assim perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida
Eu não queria amar assim como eu te amei.

Hoy (Taiguara)

Hoy
Traigo en mi cuerpo las marcas de mi tiempo
Mi desespero, la vida en un momento
La fosa, el hambre, la flor, el fin del mundo...

Hoy
Traigo en la mirada imágenes distorsionadas
Colores, viajes, manos desconocidas
Traen la luna, la calle a mis manos,

Pero hoy,
Mis manos debilitadas y vacías
Buscan desnudas por las lunas, por las calles...
En la soledad de las noches frías por ti.

Hoy
Hombres sin miedo desembarcan en el futuro
Yo tengo miedo, despierto y te busco
Mi habitación oscura es inerte como la muerte

Hoy
Hombres de acero esperan de la ciencia
Yo desespero y abrazo tu ausencia
Que es lo que me queda, vivo en mi suerte

Suerte
No quería la juventud así perdida
No quería andar muriendo por la vida
No quería amar así como te amé.

Escrita por: Taiguara