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Baile de Gente Feia

Gaudério Missioneiro

Essa é a história dum amigo meu
Que foi passear com a sua namorada
E entrou numa baita duma fria, tchê!

Acontece a todo mundo é o descuido de um segundo e o sujeito se enleia
Um convite aceitando e, de gaiato, acaba entrando num baile de gente feia
Em meio a tanta feiúra, entre cachaça e tontura, o povo se vai dançando
Digo, com toda franqueza, nunca se tem a certeza se tão rindo ou tão chorando

Um baile de gente feia é de arrepiar os cabelo
Na esquerda ou na direita, gente feia pelo meio
Acabei de me dar conta que eu também estava lá
E, se eu fosse bonito, não iam me convidar

Aqui vai um recadinho pra você que se acha mais bonito do que os outros

Digo, porque fui num deles pensando em buscar prazeres e me embretei em campo alheio
Por ter ido, eu acredito, mesmo quem é mais bonito, acaba ficando feio
Me sentindo atormentado, olhei para o outro lado onde avistei o conjunto
Era feio por inteiro, e o pior era o gaiteiro que parecia um defunto

Um baile de gente feia é de arrepiar os cabelo
Na esquerda ou na direita, gente feia pelo meio
Acabei de me dar conta que eu também estava lá
E, se eu fosse bonito, não iam me convidar

É, tem gente que não tem espelho em casa mesmo, né tchê?

Era aquele mar de gente, com a feiúra frente-a-frente, perguntei para mim mesmo
Como vim para no meio desse baile que é mais feio que congestão de torresmo
Eu fiquei meio assustado, rodeado por todo lado, a feiúra era pareia
Até minha namorada que era flor-de-delicada já estava ficando feia

Um baile de gente feia é de arrepiar os cabelo
Na esquerda ou na direita, gente feia pelo meio
Acabei de me dar conta que eu também estava lá
E, se eu fosse bonito, não iam me convidar

Vamo embora, minha nega véia, porque esse baile tá mais é pra festa das bruxas

Escrita por: João Francisco Becker, William Hengen