São 3 horas e o relógio incomodou
A patroa sonolenta levantou e o café preparou
Passou a melhor calça, a melhor camisa
Despedida, aumenta a tensão, peguei a mochila
Abri, conferi as ferramentas, hora de ir, já são 03:50
Que sorte, cheguei e o ônibus passou
Dei 5 reais ao cobrador
Primeira viagem sem troco
Recebi um passe e um bilhete de metrô
06:30 conforme o combinado
Novo encontrado, conversado, tudo acertado
Seria eu que tomaria a iniciativa
O mais velho, o mais antigo na ativa
Lembrei do fracasso na nossa última investida
Quase acaba e desaba de vez nossas vidas
Chegando ao local, casa cerca eletrificada
Campainha apertada
Um tempão depois aparece um mordomo
Cara fechada, nem olhou pra gente, entramos
Que piscina, que jardim, que vista
Igual eu acho que só tinha visto em revista
Tantas flores só em velório
Quase barrei na porta do escritório
Conversa, acertos e negociação
3 horas da tarde sem o aval do patrão
No final, fechado pela metade do preço
Mas é cacau, tava lendo aí, agradeço
Aqui cerca eletrificada, lá sem escolta
O endereço, local, não esquece, anota
A palavra tá dada, por aqui encerro
Amanhã vou usar o meu melhor ferro
Saímos de lá já no final do dia
Pra conversar sentamos numa padaria
No momento eu não era melhor companhia
Dia tenso, não deixo a cabeça fria
Aí o erro te persegue, te demite
É vidas envolvida, problemas evite
É um botão que cai da sua camisa
É um boné que sai da cabeça
Quando você mais precisa
Tava ali, mas pensamento voa
Tava ali ao mesmo tempo com minha patroa
Vou até um orelhão ligar
Tô tenso, preciso contar
Bem, tô ligando pra você se arrumar
Vamos sair essa noite pra comemorar
Tudo saiu amor quase perfeito, me espera
Veste aquele seu vestido preto
Tô a caminho de casa e atrasado
De repente anúncio de assalto
É corriqueiro, mas ninguém quer passar por isso
O pior, o destino não manda aviso
Pô, o motorista se apavorou
Do primeiro poste conseguiu, desviou
O moleque novo, apavorado, nem pensou
Atirou e acertou
Baú desgovernado já na contra mão
Batendo de cheio na frente de um camburão
Sangue no piso, gritos, passageiros feridos
E eu em meio os estilhaços de vidros
Eu olhei pra frente, uma pistola no chão
O assaltante esticado
Tentando alcançar a intuição
Me adiantei, peguei a pistola na mão
Evitar o pior era a minha intuição
Ouço mãos ao alto, olho de lado a cena
Não reagi, miras a laser, era algemas
Arma de novo no chão, mochila pra averiguação
De repente um susto, civil, pavio curto
Diria o fruto de um movimento brusco
Meus pedidos de calma soavam como escudos
E pra minha vida nem aí, estampido os ouvir
Vou repetir, juro que não reagi
O cobrador comentava o jornal do outro dia, não li
Redação em caráter emergencial vai sair
Editor, repórter, policial
Ninguém acredita na notícia
Furo de reportagem que digita
Homem é morto pela polícia
Teve sua identidade revelada após sua mochila ser revistada
Conclusão da perícia, pasmem
Trabalhador carregando colher de pedreiro e marmita
Dinheiro na mão é vendaval
É vendaval, na vida de um sonhador
De um sonhador, quanta gente aí se engana
E cai da cama com toda ilusão que sonhou