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Kismet

Grupo Fato

Tudo só se vê
Pela via do normal
Padre, avô e filha
Todo mundo é desigual

Um amor, um dono
Um patrão, um general
Uma prece ao dia
E que tudo fique igual

Só se leva, não se deixa
E o que se afana se barganha
Por um bom vintém
Só se mostra o que se enfeita
É o que se sabe do prefeito
Pela voz de Deus
Em cada raça, em todo canto
O que se quer, o que se sonha
Vem pela TV
Em quase todos
Quase sempre, quase nada, quase vida
O quase era fatal

Roncou

Cada um na sua
Todo mundo por ninguém
Nada de conversa
Nem aqui, nem mais além

Olhos, lábios, dentes
Corpos, peles furta-cor
Sangue quente: Gente
Todos têm a sua dor

Ao que parece o que acontece
É o que se esquece, não se mexe
E não se ouviu dizer
O rei é mudo, o povo é surdo
E absurda a mente
Curto é o tempo que se tem
A taça é nossa, a bossa é nova
E o vento em proa
A prosa é boa? Lá vai um milhão
Por toda a graça
E toda a raça que se tem
O que fazer
Pra se poder viver?

Escrita por: Ulisses Galetto