Alguém me disse
Vá em dois com Deus
Porque ele sempre sabe o que há
E o que haverá de haver
Que Deus com sua colher
Não possa adoçar
O céu esquece a terra
E o azul que resta
Sobre cada testa nada contém
Estamos nós, sempre sós
Embaixo assim do azul
De um céu que não vem
Não há mais nexo nisso de ter
Reflexo de Narciso perto
O certo é ver o que tem além
E além do próprio umbigo ver também
Na transparência das janelas
As dores do planeta terra
O pó das coisas sobre os dias
O pó dos dias sobre a poesia