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Cucharón

Guidi Vieira

Concha

Trouxe as conchas que eu pedi
Pr'eu adornar os cabelos
Nos seus pelos eu senti o medo
Das palavras que tenho pra lhe dar

Trouxe outras que entendi que são roteiros
Dos rodeios dos fantasmas que eu invento
Que eu não sei como evitar

Trouxe areia dos caminhos que me ondeiam
Pelos ventos dos silêncios que eu odeio
E não disse nem pra que, nem porque veio
Me deixando a obrigação de escolher
Se eu escolho perco o nada que eu já tenho

Trouxe os beijos que eu pedi
Pr'eu sossegar desesperos
Nos seus zelos eu senti o medo
Das perguntas que eu teimo em fazer

Trouxe forcas que entendi que são letreiros
Textos inteiros do meu desalento
De quem não sei desviar

Trouxe areia dos caminhos que me ondeiam
Pelos ventos dos silêncios que eu odeio
E não disse nem pra que, nem porque veio
Me deixando a obrigação de escolher
Se eu escolho, perco o nada que eu já tenho
Me embaraço nessas linhas de horizonte
Se não escolho, sai-me impune e me desdenho
Me instalo nesse certo sei-lá-onde

Cucharón

Traje las conchas que pedí
Pr'I adorna el cabello
En tu cabello sentí miedo
De las palabras que tengo que darte

Traje otros que entiendo son guiones
De los rodeos fantasma invento
Que no sé cómo evitar

Traje arena de los caminos que me agitaban
Por los vientos de los silencios que odio
Y no dijo por qué o por qué vino
Dejándome la obligación de elegir
Si elijo pierdo la nada que ya tengo

Traje los besos que pedí
Para que resuelva la desesperación
En tus celo sentí miedo
De las preguntas que sigo haciendo

He traído horca que entiendo son signos
Textos completos de mi consternación
De quien sé que no se desvíe

Traje arena de los caminos que me agitaban
Por los vientos de los silencios que odio
Y no dijo por qué o por qué vino
Dejándome la obligación de elegir
Si elijo, pierdo la nada que ya tengo
Me avergüenzo en estos cielos
Si no elijo, me salgo con la suya y desdén
Me instalo en este derecho donde quiera que sea

Escrita por: Guidi Vieira, Karina Lima da Silva