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El control del deseo remoto

Gustavo Santos

O controle do desejo remoto

É coincidência ou não, amar
Ganhar um jogo de azar
Nascer ou mesmo morrer

É coincidência ou não, trepar
Sentar no melhor lugar
Gozar ou se aborrecer

É coincidência ou não, mentir
Sorrir na hora de cair
Comprar e depois descartar

É coincidência ou não, cantar
Chorar em cima de um altar
Beber e depois vomitar

É coincidência ou não, fugir
Falar para se distrair
Errar e depois apagar

É coincidência ou não, lutar
Rezar na hora de dormir
Comer e se arrepender

Eu sou a parte que lhe cabe
Eu sou o todo que lhe falta
Gesto, cor e alma
Num sorriso de mulher

Eu sou o grito da torcida
Eu sou a fera enjaulada
Domada, porém amada
Um reflexo do além

Eu sou o plano do improviso
Eu sou a meta do acaso
Embalagem de auto-ajuda
Num retrato de amor

Eu sou a dor do flagelado
Eu sou o troco do mendigo
Miséria ou excesso
Eu sou a flor no seu caixão

Eu sou, eu sou, coincidências demais

El control del deseo remoto

Es coincidencia o no, amar
Ganar un juego de azar
Nacer o incluso morir

Es coincidencia o no, coger
Sentarse en el mejor lugar
Venirse o aburrirse

Es coincidencia o no, mentir
Sonreír al caer
Comprar y luego desechar

Es coincidencia o no, cantar
Llorar sobre un altar
Tomar y luego vomitar

Es coincidencia o no, escapar
Hablar para distraerse
Equivocarse y luego borrar

Es coincidencia o no, pelear
Rezar al dormir
Comer y arrepentirse

Soy la parte que te corresponde
Soy el todo que te falta
Gesto, color y alma
En una sonrisa de mujer

Soy el grito de la hinchada
Soy la bestia enjaulada
Domada, pero amada
Un reflejo de lo divino

Soy el plan de la improvisación
Soy la meta del azar
Envase de autoayuda
En un retrato de amor

Soy el dolor del flagelado
Soy el cambio del mendigo
Miseria o exceso
Soy la flor en tu ataúd

Soy, soy, demasiadas coincidencias

Escrita por: Gustavo Santos