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Caboclo en la Ciudad

Henrique e Rogério

Caboclo Na Cidade

Seu moço eu já fui roceiro
No triângulo mineiro
Onde eu tinha o meu ranchinho.

Eu tinha uma vida boa
Com a Isabel minha patroa
E quatro barrigudinhos.

Eu tinha dois bois carreiros
Muito porco no chiqueiro
E um cavalo bom, arriado.

Espingarda cartucheira
Quatorze vacas leiteiras
E um arrozal no banhado.

Na cidade eu só ia
A cada quinze ou vinte dias
Para vender queijo na feira.

No demais estava folgado
Todo dia era feriado
Pescava a semana inteira.

Muita gente assim me diz
Que não tem mesmo raíz
Essa tal felicidade

Então aconteceu isso
Resolvi vender o sítio
E vir morar na cidade.

Já faz mais de doze anos
Que eu aqui estou morando
Como eu vivo arrependido.

Não me dou com essa gente
Tudo aqui é diferente
Vivo muito aborrecido.

Não ganho nem pra comer
Já não sei o que fazer
Estou ficando quase louco.

É só luxo e vaidade
Penso até que a cidade
Não é lugar de caboclo.

Até mesmo a minha velha
Já está mudando de idéia
tem que ver como passeia.

Vai tomar banho de praia
Está usando mini-saia
E arrancando a sombrancelha.

Nem comigo se incomoda
Quer saber de andar na moda
Com as unhas todas vermelhas.

Depois que ficou madura
Começou a usar pintura
Credo em cruz que coisa feia.

Minha filha Sebastiana
Que sempre foi tão bacana
Me dá pena da coitada.

Namorou um cabeludo
Que dizia Ter de tudo
Mas foi ver não tinha nada.

Se mandou para outras bandas
Ninguém sabe onde ele anda
E a filha está abandonada.

Como dói meu coração
Ver a sua situação
Nem solteira e nem casada.

Voltar "pra" Minas Gerais
Sei que agora não dá mais
Acabou o meu dinheiro.

Que saudade da palhoça
Eu sonho com a minha roça
No triângulo mineiro.

Eu não sei como se deu isso
Quando eu vendi o sítio
Para vir morar na cidade.

Seu moço naquele dia
Eu vendi minha família
E a minha felicidade!

Caboclo en la Ciudad

Señor, yo solía ser campesino
En el triángulo minero
Donde tenía mi ranchito.

Tenía una vida buena
Con Isabel, mi patrona
Y cuatro pancitos.

Tenía dos bueyes de carga
Muchos cerdos en el chiquero
Y un caballo bueno, ensillado.

Escopeta cartuchera
Catorce vacas lecheras
Y un arrozal en el pantano.

En la ciudad solo iba
Cada quince o veinte días
Para vender queso en la feria.

Por lo demás, estaba tranquilo
Cada día era feriado
Pescaba toda la semana.

Mucha gente así me dice
Que no tiene raíces
Esa tal felicidad.

Entonces pasó esto
Decidí vender el rancho
Y venir a vivir en la ciudad.

Ya hace más de doce años
Que estoy viviendo aquí
Y me arrepiento.

No me llevo bien con esta gente
Todo es diferente aquí
Vivo muy disgustado.

No gano ni para comer
Ya no sé qué hacer
Estoy casi volviéndome loco.

Solo lujo y vanidad
Creo que la ciudad
No es lugar para un caboclo.

Incluso mi vieja
Está cambiando de opinión
Hay que ver cómo pasea.

Va a tomar baños de playa
Usa minifalda
Y se depila las cejas.

Ni siquiera se preocupa por mí
Quiere estar a la moda
Con las uñas todas rojas.

Después de madurar
Comenzó a usar maquillaje
Dios mío, qué feo.

Mi hija Sebastiana
Que siempre fue tan buena
Me da pena la pobre.

Salió con un peludo
Que decía tenerlo todo
Pero al ver, no tenía nada.

Se fue a otras tierras
Nadie sabe dónde está
Y la hija está abandonada.

Cómo duele mi corazón
Ver su situación
Ni soltera ni casada.

Volver a Minas Gerais
Sé que ahora no es posible
Se acabó mi dinero.

Qué nostalgia de la choza
Sueño con mi campo
En el triángulo minero.

No sé cómo sucedió esto
Cuando vendí el rancho
Para venir a vivir en la ciudad.

Señor, en ese día
Vendí mi familia
Y mi felicidad!

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