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Humano

Homero Expósito

Humano

¡La vida nos empuja con el dedo!
Yo me voy a morir de no comer.
A veces tengo ganas y no puedo
y a veces, cuando puedo, no hay con qué.

Como siempre di todo, me sucedo
y sigo dando todo con placer,
por eso de poder no tengo miedo,
me da miedo querer y no poder.

Colgada en el umbral de mis dos labios
hachabas con los pies el yuyo en flor.
¡El instinto es precoz y juzga sabios
los errores sublimes del amor!

¡La vida nos empuja con el dedo!
¡Ya me puedo morir de no comer!
Anoche te vendieron por un credo
al Samuelito aquél del almacén.

Humano

A vida nos empurra com o dedo!
Vou morrer de fome, não tem jeito.
Às vezes eu quero e não consigo
E às vezes, quando consigo, não tem o que comer.

Como sempre, dei tudo, me entrego
E sigo dando tudo com prazer,
Por isso, de poder, não tenho medo,
Tenho medo de querer e não conseguir.

Pendurada na beira dos meus lábios
Você pisava nas flores do mato.
O instinto é precoce e julga sábios
Os erros sublimes do amor!

A vida nos empurra com o dedo!
Já posso morrer de fome, não tem jeito!
Ontem te venderam por um credo
Para aquele Samuel do armazém.

Escrita por: Homero Expósito, Eladia Blázquez