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La conquista del espejo

Humberto Gessinger

A Conquista do Espelho

Eu roubei esses versos
Como quem rouba pão
Com a mão urgente
Com urgência no coração
Eu contei estórias
Inventei vitórias
Como quem tem preguiça
Como quem faz justiça
Com as próprias mãos

Eu roubei quase tudo que eu tenho
Só pra chamar tua atenção
E, quando cheguei em casa
Vi que lá morava um ladrão
Eu perdi quase tudo que eu tinha
A paz
A paciência
A urgência que me levava pela mão

Uma noite interminável
Numa cela escura
Sentido
Senhores
Censores sem poder de censura
O ruído dos motores
Numa sala de torturas
Senhoras e senhores
Censores sem talento sensorial

Nunca mais saiu da minha boca
O gosto amargo da palavra traição
Nunca mais saiu da minha boca
Nenhum elogio a nenhuma paixão

Uma noite mal dormida
Um país em maus lençóis
Sem sono
Sem censura
100% De nada não é nada
É muito pouco

Sem sono
Sem censura
100% de nada não é nada
É muito pouco

La conquista del espejo

Robé estos versos
Como quien roba pan
Con la mano urgente
Con urgencia en el corazón
Conté historias
Inventé victorias
Como quien tiene pereza
Como quien hace justicia
Con las propias manos

Robé casi todo lo que tengo
Solo para llamar tu atención
Y, al llegar a casa
Vi que allí vivía un ladrón
Perdí casi todo lo que tenía
La paz
La paciencia
La urgencia que me llevaba de la mano

Una noche interminable
En una celda oscura
Sentido
Señores
Censores sin poder de censura
El ruido de los motores
En una sala de torturas
Señoras y señores
Censores sin talento sensorial

Nunca más salió de mi boca
El sabor amargo de la palabra traición
Nunca más salió de mi boca
Ningún elogio a ninguna pasión

Una noche mal dormida
Un país en apuros
Sin sueño
Sin censura
100% De nada no es nada
Es muy poco

Sin sueño
Sin censura
100% de nada no es nada
Es muy poco

Escrita por: Humberto Gessinger