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Outro Nada

Humberto Gessinger

Outro Nada

Quando a noite já era um Neon que não
Apenas um garçom com sono esfregando o chão
Quanto um pastor em transe pregava sobre o monte sinai
Ele chegou na rodoviária vindo da fronteira com o Uruguai

Que troço louco destino
Na falta de outro nome
Há nomes de mais
Que traço torto desenha
O rastro da ausência
Há crença que há

Chegou de Santa Maria
Ainda no outro dia
Veio de Uruguaiana uma semana atrás
Vale, Serra, Litoral
O tempo tanto faz
Veio e não trouxe nada
Um outro nada deixou para trás

Que troço louco destino
Na falta de outro nome
Há nomes de mais
Que traço torto desenha
O rastro da ausência
Há crença que há

Que troço louco desterro
Na falta de uma terra
Há torres a vigiar
Que traço torto desenha
Linhas no horizontes
Aos montes demais

Quando a noite já era
E o dia ainda não

Outro Nada

Cuando la noche ya era un Neón que no
Sólo un mesero con sueño fregando el piso
Mientras un pastor en trance predicaba sobre el monte Sinaí
Él llegó a la terminal de autobuses viniendo de la frontera con Uruguay

Qué locura de destino
En ausencia de otro nombre
Hay nombres de más
Que trazo torcido dibuja
El rastro de la ausencia
Hay creencia que hay

Llegó de Santa María
Apenas al otro día
Vino de Uruguaiana una semana atrás
Valle, Sierra, Costa
El tiempo tanto da
Vino y no trajo nada
Un otro nada dejó atrás

Qué locura de destino
En ausencia de otro nombre
Hay nombres de más
Que trazo torcido dibuja
El rastro de la ausencia
Hay creencia que hay

Qué locura de destierro
En ausencia de una tierra
Hay torres vigilando
Que trazo torcido dibuja
Líneas en el horizonte
A montones

Cuando la noche ya era
Y el día aún no

Escrita por: Humberto Gessinger / Bebeto Alves