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Invisibles

Igor Sorriso

Invisíveis

Esse país hoje vai me enxergar
Manifesto verde e branco
Camisa é Barra Funda a contestar
Mãe gentil?
A pátria que me traiu

Olhe no meu olho
Não desvie a tua cara
Nem mude de calçada nessa rua da amargura
Teu bom dia, boa noite retido
É silêncio que me anula
Mas não vou me remoer
Nunca tive nada a perder
Pobreza é direito de nascença
Nas entrelinhas dessa Constituição
Papel que mal garante o papel de pão na mesa

Migalhas não vão me alimentar
Moedas não vão me sustentar
Herdeiros de avós acorrentados
Vivem o presente e o futuro presos no passado

Tanta gente
Que não tem onde plantar sua semente
Tanta terra
De tão poucos, egoístas, indolentes
Invisíveis, uni-vos!
Cabeças e punhos erguidos
Bem ou mal seremos notados
Além das câmeras do supermercado
E defendidos pelos bons
Que sempre olharam pros irmãos
Lutaram até o fim por mim, por nós
Ocultos da nação

Invisibles

Este país hoy me va a ver
Manifiesto verde y blanco
Camisa es Barra Funda a contestar
¿Madre gentil?
La patria que me traicionó

Mira en mis ojos
No desvíes tu mirada
Ni cambies de acera en esta calle de amargura
Tu buenos días, buenas noches retenidos
Es un silencio que me anula
Pero no me voy a consumir
Nunca tuve nada que perder
La pobreza es un derecho de nacimiento
Entre líneas de esta Constitución
Un papel que apenas garantiza el pan en la mesa

Las migajas no me van a alimentar
Las monedas no me van a sostener
Herederos de abuelos encadenados
Viven el presente y el futuro presos en el pasado

Tanta gente
Que no tiene dónde sembrar su semilla
Tanta tierra
De tan pocos, egoístas, indolentes
Invisibles, ¡uníos!
Cabezas y puños en alto
Bien o mal seremos notados
Más allá de las cámaras del supermercado
Y defendidos por los buenos
Que siempre miraron a los hermanos
Lucharon hasta el final por mí, por nosotros
Ocultos de la nación

Escrita por: Liso