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Caveira

Império DraKing

Hum, hum, Sussurro das Encruzilhadas
Hum, hum, Caveira

Eu fui homem de carne quente e pressa nos passos
Conheci o mundo pelos excessos e pelos cansaços
Bebi da vaidade, dormi perdido na ilusão
Acreditei que o poder me livrava do chão

Vi riquezas comprarem aplausos vazios
E promessas morrerem no mesmo canto frio
Quando a morte chamou, não pediu permissão
Levou meu nome, e deixou apenas a lição

No campo-santo acordei sem rosto ou reinado
Só o peso da vida que se foi, mal ou bem usado
Ali entendi o que ninguém nunca me contou
Que todo caminho termina onde começou

Aprendi entre ossos empilhados no tempo
Que orgulho apodrece igual qualquer corpo lento
Vi reis e escravos calados no mesmo pó
E mendigos partirem por dever maior

O mundo me fez Caveira, guardião do portal
Onde termina o ego e começa o real
Não carrego ódio, nem sede de dor
Carrego a balança do que cada um semeou

Quem viveu ferindo carrega o próprio corte
Todo mundo, bom ou ruim encara a morte
Mas quem viveu inteiro cruza sem tormento
A Calunga pesa menos pra quem teve fundamento

A vida passa, a morte ensina
Todo corpo volta à mesma sina
Não existe cor, nem nome, nem divisão
Todo esqueleto canta a mesma canção

Não existe osso de rei ou de escravo
Todo esqueleto carrega o mesmo fardo
Quem entende o fim aprende a viver
Quem respeita o outro não teme morrer

Não foge do fim, eu seguro tua mão!
A calunga é ponte, não condenação!
Rico ou pobre, ninguém caminha só!
Toda vida termina no mesmo pó!

A morte não é castigo nem punição!
É descanso depois da grande missão!
Eu conduzo quem aceita o destino!
Toda caveira segue o mesmo caminho!

Todo mundo chega, não existe exceção!
A Calunga recebe todos sem distinção!
Mas nem todo espírito chega estando em paz!
Só quem viveu inteiro cruza sem olhar pra trás!

Por isso eu digo, trata bem quem caminha
Hoje lado a lado, amanhã na mesma trilha
Não pisa em ninguém querendo subir
O chão que sustenta também pode ruir

Quem aprende a ouvir aprende a respeitar
Quem respeita o outro aprende a se libertar
A dor que tu plantas não morre sozinha
Ela te espera na curva da mesma linha

Ser bom não é fraqueza nem ilusão
É entender que todos voltam pro mesmo chão
Quem ajuda hoje, amanhã terá paz
Porque a Calunga não esquece jamais

Não me chame pra punir por vaidade cega
Eu ensino igualdade na queda que chega
Seja justo agora, sem pedir favor
Porque o fim responde no mesmo tom

Ama teu irmão sem medir aparência
O osso não carrega raça nem crença
Quando a carne cala, sobra só verdade
E toda alma pesa no tempo da eternidade

Seja justo agora, não espera o fim
O que tu faz ao outro faz a ti mesmo
Quem faz do amor seu próprio sinal
Atravessa a morte sem medo da Calunga final

A vida passa, a morte ensina
Todo corpo volta à mesma sina
Não existe cor, nem nome, nem divisão
Todo esqueleto canta a mesma canção

Não existe osso de rei ou de escravo
Todo esqueleto carrega o mesmo fardo
Quem entende o fim aprende a viver
Quem respeita o outro não teme morrer

Não foge do fim, eu seguro tua mão!
A calunga é ponte, não condenação!
Rico ou pobre, ninguém caminha só!
Toda vida termina no mesmo pó!

A morte não é castigo nem punição!
É descanso depois da grande missão!
Eu conduzo quem aceita o destino!
Toda caveira segue o mesmo caminho!

Todo mundo chega, não existe exceção!
A Calunga recebe todos sem distinção!
Mas nem todo espírito chega estando em paz!
Só quem viveu inteiro cruza sem olhar pra trás!