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Viola Quebrada

Inezita Barroso

Viola Quebrada

Quando da brisa no açoite a flor da noite se acurvou
Fui encontra coma a Maróca meu amor
Eu senti n'alma um golpe duro
Quando ao muro já no escuro
Meu olhar andou buscando a cara dela e não achou

Minha viola gemeu
Meu coração estremeceu
Minha viola quebrou
Meu coração me deixou

Minha Maróca resolveu prá gosto seu me abandonar
Porque o fadista nunca sabe trabalhar
Isto é besteira pois da flor
Que brilha e cheira a noite inteira
Vem de´pois a fruta que dá gosto de saborear

Minha viola gemeu
Meu coração estremeceu
Minha viola quebrou
Meu coração me deixou

Por causa dela sou um rapaz muito capaz de trabalhar
E todos os dias todas as noites capinar
Eu sei carpir porque minh'alma está arada e loteada
Capinada com as foiçadas desta luz do seu olhar

Viola Quebrada

Cuando la brisa azota la flor de la noche se inclinó
Fui a encontrarme con Maróca, mi amor
Sentí en el alma un golpe duro
Cuando en el muro ya en la oscuridad
Mi mirada buscaba su rostro y no lo encontraba

Mi viola gimió
Mi corazón tembló
Mi viola se rompió
Mi corazón me dejó

Mi Maróca decidió, a su antojo, abandonarme
Porque el fadista nunca sabe trabajar
Es una tontería, pues de la flor
Que brilla y huele toda la noche
Luego viene la fruta que da gusto saborear

Mi viola gimió
Mi corazón tembló
Mi viola se rompió
Mi corazón me dejó

Por su culpa soy un joven muy capaz de trabajar
Y todos los días, todas las noches, deshierbo
Sé desmalezar porque mi alma está arada y parcelada
Desmalezada con los golpes de luz de su mirada

Escrita por: Ary Kerney / Mario de Andrade