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Incontinencia

Insurreição!

Incontinência

Eu me pego às voltas com esse pensamento
Que derruba cercas, desfaz argumentos
Se vem aos olhos é de arrepiar
Se sai palavra é de fazer tremer

É como um gás, um sopro virulento
Se expande explode esse compartimento
De tão temido é tido com paixão
De tão querido não se faz ação

Eu me pego em luta com esse pensamento
Que anda esguio de tanto que alimento
Ele é tão denso que nem dá pra ver
E tão esparso que dá pra pegar

É como um pulso, um baque violento
Que abre valas no engarrafamento
De generoso não retem quinhão
De tão contido não se faz nação

E já não cabe em mim...

É insuficiente
Este recipiente
A minha incipiente
Caixa craniana
Desliza em entrementes
Um fluido entre as mentes
Onde só a possibilidade é veemente
E todo oráculo se engana

Incontinencia

Me encuentro enredado con este pensamiento
Que derriba cercas, deshace argumentos
Si llega a los ojos, eriza la piel
Si sale palabra, hace temblar

Es como un gas, un soplo virulento
Se expande y explota este compartimento
Tan temido que se tiene con pasión
Tan querido que no se convierte en acción

Me encuentro en lucha con este pensamiento
Que se desliza ágil por todo lo que alimento
Es tan denso que ni siquiera se puede ver
Y tan disperso que se puede atrapar

Es como un pulso, un golpe violento
Que abre zanjas en el embotellamiento
No retiene su cuota de generosidad
Tan contenido que no se convierte en nación

Y ya no cabe en mí...

Es insuficiente
Este recipiente
Mi incipiente
Caja craneana
Se desliza entre medias
Un fluido entre las mentes
Donde solo la posibilidad es vehemente
Y todo oráculo se equivoca

Escrita por: Gui Araújo