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Viajada

Ivan Cardoso

Viajada

Eu prossigo arribado
É sina de cantador
Pra refazer a viagem
Que fizera meu avô

Minhas andanças pela zona do salgado
Muita terra muito gado
Pelas brenhas do Pará
Só de passagem pelas terras Bragantinas
Dancei xote com as meninas
Mais bonitas do lugar

Mas eu não sei se ando rumo ao norte
Até aqui eu não parei de andar
E comer pó por essa beira de estrada

Meu bisavô só viajava de cavalo
O meu avô, um belisário de Maria fumaça

Riba do trilho
Tocando a locomotiva
No fuck, fuck
Bem ativa, bem danada pra chegar

Eu desse tempo de avião e gasolina
O meu caminho é serpentina não há trilho pra trilhar
Atravessando a ponta de Paragominas
Fui desaguar, lá em salinas
Bolei no meio do mar
Maracanã, Vizeu, Baião, Ponta de Pedras,
Bujarú, Parauapebas, Tracuateua e Cametá
Tomé-açu, Vigia, Beja, Abaetetuba,
Marapanim, Mocajuba, Moju, Bagre e Marudá

Santarém novo, Ourém e Quarenta e Sete
A claridade se reflete na ponta do meu punhal
Cachoeirinha, pedra, poeira e garimpo,
Tal da cachaça, pistola e brinco
Viver, morrer e matar

Viajada

Yo sigo viajando
Es la señal de un cantor
Para rehacer el viaje
Que hizo mi abuelo

Mis andanzas por la zona del salado
Mucha tierra, mucho ganado
Por los montes de Pará
Solo de paso por las tierras de Braganza
Bailé xote con las chicas
Más bonitas del lugar

Pero no sé si voy hacia el norte
Hasta aquí no he parado de andar
Y comer polvo por este borde de la carretera

Mi bisabuelo solo viajaba a caballo
Mi abuelo, un belisario de María humo

Sobre el riel
Tocando la locomotora
En el chug, chug
Muy activa, muy traviesa para llegar

Si en aquel tiempo hubiera avión y gasolina
Mi camino es serpenteante, no hay riel que seguir
Cruzando la punta de Paragominas
Fui a desembocar, allí en Salinas
Me emborraché en medio del mar
Maracaná, Vizeu, Baión, Punta de Piedras,
Bujarú, Parauapebas, Tracuateua y Cametá
Tomé-açu, Vigía, Beja, Abaetetuba,
Marapanim, Mocajuba, Moju, Bagre y Marudá

Santarém Novo, Ourém y Cuarenta y Siete
La claridad se refleja en la punta de mi puñal
Cachoeirinha, piedra, polvo y garimpo,
El del aguardiente, pistola y arete
Vivir, morir y matar

Escrita por: Jorge Pimentel