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TRIBUTO

J. M. Monteirás

É à noite que se abrem as portas
E caem estrelas aos montes
Pra regar as sementes mortas
Fincadas nos horizontes

Que bom que sempre é assim
Vem junto o sereno, o jardim
Na mente de quem quer o bem
Na mente do descrente, também

Dói é quando chega quem diz me siga
Que mente e não se cansa de sorrir
Trajando aquela negra roupa, antiga
E nem sente ao vermos um ente partir

Essa coisa que ataca a vida
Não bebe sidra, devora as maçãs
A morte só leva o artista
Pra bem mais perto dos fãs

A foice dela são como trelas
Somente amarram a quem vai de ré
Não os que vieram via as estrelas
Trazendo arte, alegria e fé

Nós fomos enviados por Deus e é assim
Nascemos, vivemos, aceitamos Seu plano
Não descemos em carros de palhas jasmim
Subimos em carruagens de Urano

E lá corremos pelos jardins
Com o mesmo canto e voz
Lá temos a mesma leveza do ar
Ou das nuvens celestes, enfim

Aqui é que desatamos os nós
Sempre fizemos assim
Porque usamos a nossa voz
Sem início, sem meio, sem fim

Já que a vida é somente de três atos
Que este canto lhe dê uma sova
Engraxemos nossos velhos sapatos
Conservemos nosso Roupa Nova

Nós fomos enviados por Deus e é assim
Nascemos, vivemos, aceitamos Seu plano
Não descemos em carros de palhas jasmim
Subimos em carruagens de Urano

E lá corremos pelos jardins
Com o mesmo canto e voz
Lá temos a mesma leveza do ar
Ou das nuvens celestes, enfim

Aqui é que desatamos os nós
Sempre fizemos assim
Porque usamos a nossa voz
Sem início, sem meio, sem fim

Já que a vida é somente de três atos
Que este canto lhe dê uma sova
Engraxemos nossos velhos sapatos
Conservemos nosso Roupa Nova

Escrita por: J. M. Monteirás