Meu Enxoval
Eu fui para São Paulo procurar trabalho
E não me dei com o frio
Tive que voltar outra vez para o Rio
Pois aqui no Distrito Federá
O calor é de lascar
E veja o meu azar:
Comprei o "Jornal do Brasil"
Emprego tinha mais de mil
E eu não arranjei um só...
Telegrafei para a vovó
Ela tem uma bodega em Recife, Pernambuco
Eu disse pra ela que estou quase maluco
E que não tenho nem onde morar, o quê que há?
Estou dormindo ao relento, valei-me nossa Senhora!
O meu travesseiro é um "Diário da Noite"
E o resto do corpo fica na "Última Hora".
Mas se eu voltar, aquela turma lá do Norte me arrasa
Principalmente o povo lá de casa
Que vai perguntar por que é que eu fui embora.
Porisso eu vou ficando
Dormindo aqui na porta do Municipal
Com quatro mil-réis eu compro o enxoval:
"Diário da Noite" e a "Última Hora".
Mi Ajuar
Fui a São Paulo buscando trabajo
Y no aguanté el frío
Tuve que regresar de nuevo a Río
Porque aquí en el Distrito Federal
El calor es insoportable
Y mira mi mala suerte:
Compré el 'Diario de Brasil'
Había más de mil empleos
Y no conseguí ni uno solo...
Telegrafié a la abuela
Ella tiene una tienda en Recife, Pernambuco
Le dije que estoy casi loco
Y que no tengo dónde vivir, ¿qué hago?
Estoy durmiendo a la intemperie, ¡ayúdame Virgen nuestra!
Mi almohada es un 'Diario de la Noche'
Y el resto de mi cuerpo queda en la 'Última Hora'.
Pero si regreso, esa gente del Norte me destroza
Principalmente la gente de mi casa
Que va a preguntar por qué me fui
Por eso me quedo
Durmiendo aquí en la puerta del Municipal
Con cuatro mil reales compro el ajuar:
'Diario de la Noche' y la 'Última Hora'.
Escrita por: Gordurinha / José Gomes