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Roda de Baiana

Jair Rodrigues

Roda de Baiana

Não adianta me olhar
Com esse jeito de quem
Não comeu e não gostou,
Você teve tanto trabalho,
Pulou pra chegar lá no bairro,
Mas aí, se machucou,
E agora vem com essa prosa,
Cuidado que eu sou verde-rosa,
Por favor, chega prá lá,
Tira o cavalo da chuva,
Esquece esse cacho de uva,
Porque não vai dar,
Pra você ir pegar.

Eu sou da mata,
Menina da pela mulata,
Das minas de ouro e de prata,
Curtida no sol e no ar,
Sou do calango, do bumba-meu-boi, do fandango,
Se falam do samba eu me zango,
Começo a sapatear,
E você não me engana,
Se não rodo minha bahiana,
Não pra você nunca me segurar.

Roda de Baiana

No sirve de nada mirarme
Con esa actitud de quien
No comió y no le gustó,
Tuviste tanto trabajo,
Saltaste para llegar al barrio,
Pero ahí te lastimaste,
Y ahora vienes con esa charla,
Cuidado que soy verde-rosa,
Por favor, hazte a un lado,
Quita el caballo de la lluvia,
Olvídate de ese racimo de uvas,
Porque no va a funcionar,
Para que vayas a buscar.

Soy de la selva,
Chica de piel mulata,
De las minas de oro y plata,
Curtida en el sol y en el aire,
Soy del lagarto, del bumba-meu-boi, del fandango,
Si hablan de samba me enojo,
Empiezo a zapatear,
Y tú no me engañas,
Si no giro mi bahiana,
No podrás sujetarme nunca.

Escrita por: Alceu Maia / Toninho Nascimento