Ligo a TV e vejo o mesmo circo armado
Paletó caro, discurso ensaiado
Prometem ponte enquanto vendem o rio
E chamam de progresso o meu bolso vazio
Imposto morde, estado engorda
E a conta sempre sobra pra quem acorda
Dizem que é pelo bem, pelo povo, pela nação
Mas Brasília virou balcão de negociação
Esquerda, direita, tudo farinha do mesmo saco
Só muda a cor da gravata no palanque
No teatro da bandeira rasgada
O herói usa máscara e não mostra a cara
Apontam o dedo, cancelam a fala
E chamam de justiça a mordaça na sala
Brasil, meu Brasil, quem te representa?
Se a voz que te defende já nasce violenta
Na rua a cartilha nova quer me ensinar a falar
Dez pronomes pra usar, um pensamento pra calar
Se discordo sou o alvo, me rotulam sem julgar
Tribunal de rede social, sentença sem apelar
Cultura do medo vestida de evolução
Trocaram a liberdade por aprovação
Não é sobre cor, credo ou orientação
É sobre poder dizendo o que é opinião
Quando a virtude vira moeda de troca
A empatia some e só resta a derrota
No teatro da bandeira rasgada
O herói usa máscara e não mostra a cara
Apontam o dedo, cancelam a fala
E chamam de justiça a mordaça na sala
Brasil, meu Brasil, quem te representa?
Se a voz que te defende já nasce violenta
Eu só queria um país sem dono
Onde ideia não pedisse perdão pro sono
Onde a pauta não valesse mais que o pão
E o verde e amarelo não fosse de um só quinhão
Enquanto isso, canto alto na contramão
Porque silêncio também é decisão