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Clarividência

Jay Laroye

Deixei para trás o que exigia força
E fiquei com o que exige verdade
Hoje reconheço o limite
Entre desejo e necessidade
O que não sou deixou de insistir
O que ficou aprendeu a esperar
Há silêncio suficiente em mim
Para algo inteiro poder entrar

Não carrego pressa no olhar
Nem carência para oferecer
Quando estou inteiro em mim
O mundo precisa entender

Estou disponível ao que é claro
Sem esforço, sem intenção
O que caminha na mesma frequência
Encontra-me por ressonância, não por condição
Não projeto, não antecipo
Sustento o agora com precisão
Quando o alinhamento é interno
O encontro deixa de ser exceção

Desaprendi os gestos antigos
Que confundiam apego com raiz
Hoje escolho presença contínua
Não o impacto que se desfaz num momento infeliz
Há espaço no meu mundo
Para dois ritmos coexistirem
Sem invasão, sem desaparecimento
Sem que um precise diminuir para o outro sobressair

O meu corpo reconhece coerência
Antes mesmo da razão falar
Não é promessa que me chama
É repouso onde posso ficar

Estou disponível ao que é claro
Sem esforço, sem intenção
O que caminha na mesma frequência
Encontra-me por ressonância, não por condição
Não projeto, não antecipo
Sustento o agora com precisão
Quando o alinhamento é interno
O encontro deixa de ser exceção

Eu permito o que me reconhece
Sem negociar o que sou
O que chega não pede prova
Sabe exatamente onde entrou

Estou aqui, em estado de encontro
Sem expectativa, sem defesa
O que me encontra por inteiro
Chega sem ruído, fica com leveza

E quando o silêncio se organiza
Entre um acorde e outro, enfim
Não é procura que se encerra
É algo que começa em mim

Escrita por: Jay Laroye José Rui Silva