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Mestiço Traiçoeiro

João Ferreira e Ferreirinha

Mestiço Traiçoeiro

De Campo Grande eu parti
Pra Barretos destinado
Tocando mil panteiros
Saí muito contrariado
Na hora da despedida
Eu já estava desconfiado
Que a viagem para mim
Não dava bom resultado
Meu filho ero o ponteiro
E o berrante ele tocava
Cortando aquelas campinas
E a boiada acompanhava
Coitado estava inocente
De nada desconfiava
Que o mestiço traiçoeiro
Na frente do gado andava.

A boiada estourou
E o seu burro caiu
O mestiço traiçoeiro
No menino investiu
Pegou ele com as bambas
E nos ares sacudiu
O chifre do pantaneiro
Com o seu sangue tingiu
Vendo esta cena triste
Nesta hora fiquei louco
Dei três tiros no mestiço
Varei de um lado pro outro
Das pampas do pantaneiro
Tirei meu filinho morto
Deixei uma cruz fincada
Ondesepultei seu corpo
Deixei de ser boiadeiro
Nunca mais lidei com o gado
Meu coração até corta
Quando lembra este passado
Nas pampas da pantaneiro
Perdi meu filho adorado
Nas margens do Pontoquinhos
E deixei ele sepultado.

Mestiço Traiçoeiro

Desde Campo Grande partí
Destinado a Barretos
Tocando mil panteones
Salí muy contrariado
En el momento de la despedida
Ya estaba desconfiado
Que el viaje para mí
No iba a dar buen resultado
Mi hijo era el puntero
Y tocaba el berrante
Cortando esas campiñas
Y siguiendo al ganado
Pobre estaba inocente
No sospechaba nada
Que el mestizo traicionero
Iba delante del ganado

El ganado se desbocó
Y su burro cayó
El mestizo traicionero
Se lanzó sobre el niño
Lo agarró con las patas
Y en el aire lo sacudió
El cuerno del pantanero
Lo tiñó con su sangre
Viendo esta escena triste
En ese momento enloquecí
Le di tres tiros al mestizo
Lo atravesé de lado a lado
De las llanuras del pantanero
Saqué a mi pequeño muerto
Dejé una cruz clavada
Donde sepulté su cuerpo
Dejé de ser arriero
Nunca más traté con el ganado
Mi corazón se parte
Cuando recuerda este pasado
En las llanuras del pantanero
Perdí a mi hijo amado
En las orillas del Pontoquinhos
Y lo dejé sepultado.

Escrita por: João Ferreira-Célia