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Sertão

João Ferreira e Ferreirinha

Sertão

Desde que deixei você, sertão
Nunca mais dancei catira
Não vi mais festa de Reis, sertão
Nem cantar de corruíra

Nunca mais eu vi boiada
Nem também carro de boi
Tenho muita saudade, sertão
Do bão tempo que se foi

Nunca mais fiz serenata, sertão
Não contemplei mais luar
Eu não vi mais cachoeira, sertão
Nem berrante a tocar

Não vi festa de São João
Nem dança de São Gonçalo
Nunca mais vi a aurora, sertão
E nem o cantar do galo

Eu tenho muita saudade, sertão
Da minha velha palhoça
De ver o nosso roceiro, sertão
Cultivando a sua roça

Há quanto tempo não ouço
O cantar da seriema
A garça branca quietinha, sertão
Passava voando serena

Dentro da mente eu vejo, sertão
A sua imagem inteirinha
Um potro bravo pulando, sertão
Faz parte da vida minha

Boiada e carro de boi
Tropeçaram no progresso
Mas ficou esta viola, sertão
Sempre fazendo sucesso

Sertão

Desde que te dejé, campo
Nunca más bailé catira
No vi más fiesta de Reyes, campo
Ni cantar de corruíra

Nunca más vi ganado
Ni tampoco carro de bueyes
Extraño mucho, campo
Los buenos tiempos que se fueron

Nunca más hice serenata, campo
No contemplé más el claro de luna
No vi más cascada, campo
Ni el sonido del berrante

No vi fiesta de San Juan
Ni baile de San Gonçalo
Nunca más vi el amanecer, campo
Y el canto del gallo

Extraño mucho, campo
Mi vieja choza
Ver a nuestro campesino, campo
Cultivando su parcela

Hace mucho que no escucho
El canto de la seriema
La garza blanca tranquila, campo
Pasaba volando serena

Dentro de mi mente veo, campo
Tu imagen completa
Un potro bravo saltando, campo
Es parte de mi vida

Ganado y carro de bueyes
Tropezaron con el progreso
Pero quedó este violín, campo
Siempre teniendo éxito

Escrita por: João Ferreira, Norfinho Peão