395px

Sertanejo Hasta el Final

João Neri e Pedro Dias

Sertanejo Até o Fim

A dor que estou sentindo é difícil entender
Só meu coração que sabe a razão do meu sofrer
Eu finjo que estou feliz pra ninguém não perceber
As vezes choro baixinho, saudade do meu ranchinho
Do cantar dos passarinhos no galho do ipê

Eu desde pequenininho já tinha grande prazer
Pegava uma violinha, tocava pra mamãe ver
Depois eu entrei na escola, estudei o abc
Dali mudei pra cidade, entrei numa faculdade
Perdi minha mocidade e a razão de meu viver

Eu nunca pude mudar o meu sistema de ser
Os costumes lá da roça eu nunca vou esquecer
Eu sempre ligo meu rádio quando vai escurecer
Nos programas de violeiro me lembro dos companheiros
Me aperta um desespero, a ponto de enlouquecer

Eu agora resolvi, já sei o que vou fazer
Vou guardar minha caneta e a máquina de escrever
Vou dar à alguém de presente, se eu não conseguir vender
Quero sair dessa fossa, vou rever minha palhoça
Quem foi nascido na roça, na roça tem que viver

Sertanejo Hasta el Final

El dolor que estoy sintiendo es difícil de entender
Solo mi corazón sabe la razón de mi sufrir
Fingo que estoy feliz para que nadie lo note
A veces lloro en silencio, extrañando mi ranchito
El cantar de los pajaritos en la rama del lapacho

Desde pequeñito tenía un gran placer
Tomaba mi guitarra, tocaba para que mamá viera
Después fui a la escuela, estudié el abecedario
De ahí me mudé a la ciudad, entré a la universidad
Perdí mi juventud y la razón de mi existir

Nunca pude cambiar mi forma de ser
Los costumbres del campo nunca los olvidaré
Siempre enciendo mi radio cuando oscurece
En los programas de violeiros recuerdo a mis amigos
Me aprieta una desesperación, al punto de enloquecer

Ahora decidí, ya sé qué hacer
Voy a guardar mi pluma y la máquina de escribir
Se las regalaré a alguien, si no logro venderlas
Quiero salir de esta depresión, volver a mi choza
Quien nació en el campo, en el campo debe vivir

Escrita por: