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Raça de víboras

João Robson

Dizem que é revelação
Dizem que é o Espírito
Mas o que eu vejo?
Só encenação

Público cego, roteiro ensaiado
Bem-vindos ao teatro do sagrado
Falam em línguas, afirmam ter o poder
Mas fazem o bem só pra todo mundo ver

Transformaram o Reino de Deus num cenário
Esqueceram que o altar não é palco pra empresário
A Bíblia é clara, escute o que ela diz
Não saiba a esquerda o que a direita fez por um infeliz

Hipócritas! Raça de víboras, serpentes do altar!
Lá fora é santidade, em casa é veneno de matar
Honram com os lábios, mas o coração tá no deserto
Deus tá vendo o abismo, mesmo com o templo aberto

E se tirarmos o luxo? E se o dinheiro acabar?
Será que ainda sobra fé pra gente te ver adorar?
Sem microfone, sem holofote, com a conta vazia
A sua adoração ainda teria alegria?

Jesus vestia o simples, não tinha onde deitar
Vocês amam o conforto e o ouro que vai enferrujar!
Usam o nome de Deus como isca pra pescar
Contam o milagre pro próximo a oferta entregar

Diz que livrou da macumba, do vício e da dor
Mas o amor ao dinheiro é a raiz do terror
Falam línguas de anjos, mas cadê o amor?
É só metal que soa, barulho sem valor

Igrejas vendidas, sistema de confusão
É a Grande Babilônia, a mãe da prostituição!
Acorda! Sair do engano dói, eu sei
Por isso vocês pulam o que diz a Lei

Não pregam de Gênesis a Apocalipse, têm medo
Porque a Verdade liberta e expõe o segredo
Não dá pra servir a Deus e às riquezas também
Ou você ama o Mestre, ou o luxo que convém

O tom de voz muda, lá dentro é paz do Senhor
Cá fora é soberba, arrogância e desamor
Sobem montes altos pra se orgulhar
Mas a casa do aflito não querem visitar

Religião pura é cuidar do órfão e da viúva
Enquanto vocês se apascentam na sombra da chuva
Preconceito no olhar, zombando da dor alheia
A alma tá suja, mas a roupa tá cheia

Quem não ama, não conhece a Deus tá escrito lá
E nada encoberto deixará de se revelar
No grande dia, o grito vai ser: Senhor, eu profetizei!
E Ele vai dizer: Apartai-vos, eu nunca te conheci, nem te chamei

Parem de amedrontar, parem de pesar a mão
Deus deu livre arbítrio, deu a direção
Ele é Amor, sim, mas não esqueça: Ele é Justiça
Não é vingança, é colheita do que a alma atiça

Eu tô fora da estrutura, mas vejo a podridão
Com os olhos na Babilônia e o bolso na mão
Parem, enquanto ainda há tempo de ser cristão

Deus é Amor
Mas Deus também é Justiça
Livre arbítrio, a escolha é sua

Escrita por: João Robson