Usam a língua com a vida manchada
Citando a Bíblia que Deus nos deixou
Condenam o caído ao eterno horror
Mas Deus é justiça e não destruição
Usam a Bíblia como ponta de lança
Para roubar do irmão a última esperança
É a régua de julgamento, a língua de chicote
De quem usa o versículo para ditar a morte
Medem a alma, mas a métrica falha
Pois usam o remédio para bater nos doentes
Vivem de idolatria, mentiras e adultérios
Lobos em pele de cordeiro e falsos ministérios
Usam a letra para o próximo sentenciar
Mas mil versículos vêm para te julgar
Orar é para salvar, não para entristecer
Enquanto a língua de chicote o faz perecer
Usem a vossa régua para medir a vossa vida
E vejam o tamanho da vossa ferida
Como ousam apontar o cisco no olho alheio
Se a vossa trave oculta o ódio e o receio?
Falsos milagres e sujeiras no altar
Parem de usar a Bíblia apenas para açoitar
Enxerguem o tamanho dos vossos pecados
Diante do Juiz serão todos pesados
Que tipo de Deus vocês acham que servem
Se fofocas e contendas em vossas bocas fervem?
Jogam o próximo em abismos de depressão
Sem saber que o juízo não está em vossa mão
Vão prestar contas de cada letra de maldade
O Deus do amor observa a tua vaidade
Desrespeitam o luto e a dor de quem chora
Sem saber de vossa partida e da vossa hora
Ninguém sabe o dia nem como vai partir
Pois o amanhã ninguém pode prever ou sentir
Nem médiuns nem feiticeiros sabem o fim
O dia de Deus é selado assim
Escutem a verdade
Pois a letra também condena vocês
Deixe os que dormem na morte
Em total paz
O tempo de acusar só cabe a Deus, o Pai
Onde está o salvar? Onde está o remir?
A trave no vosso olho, o céu vai sucumbir
Com a medida que usarem serão todos medidos
Pelo critério do Rei serão todos ouvidos
A palavra veio ao mundo limpar, não sentenciar
Parem de ser juízes
Pois o Juiz está à porta
A história continua em nós