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Regua de Julgamento a lingua de chicote

João Robson

Usam a língua com a vida manchada
Citando a Bíblia que Deus nos deixou
Condenam o caído ao eterno horror
Mas Deus é justiça e não destruição

Usam a Bíblia como ponta de lança
Para roubar do irmão a última esperança
É a régua de julgamento, a língua de chicote
De quem usa o versículo para ditar a morte

Medem a alma, mas a métrica falha
Pois usam o remédio para bater nos doentes
Vivem de idolatria, mentiras e adultérios
Lobos em pele de cordeiro e falsos ministérios

Usam a letra para o próximo sentenciar
Mas mil versículos vêm para te julgar
Orar é para salvar, não para entristecer
Enquanto a língua de chicote o faz perecer

Usem a vossa régua para medir a vossa vida
E vejam o tamanho da vossa ferida
Como ousam apontar o cisco no olho alheio
Se a vossa trave oculta o ódio e o receio?

Falsos milagres e sujeiras no altar
Parem de usar a Bíblia apenas para açoitar
Enxerguem o tamanho dos vossos pecados
Diante do Juiz serão todos pesados

Que tipo de Deus vocês acham que servem
Se fofocas e contendas em vossas bocas fervem?
Jogam o próximo em abismos de depressão
Sem saber que o juízo não está em vossa mão

Vão prestar contas de cada letra de maldade
O Deus do amor observa a tua vaidade
Desrespeitam o luto e a dor de quem chora
Sem saber de vossa partida e da vossa hora

Ninguém sabe o dia nem como vai partir
Pois o amanhã ninguém pode prever ou sentir
Nem médiuns nem feiticeiros sabem o fim
O dia de Deus é selado assim

Escutem a verdade
Pois a letra também condena vocês
Deixe os que dormem na morte
Em total paz

O tempo de acusar só cabe a Deus, o Pai
Onde está o salvar? Onde está o remir?
A trave no vosso olho, o céu vai sucumbir

Com a medida que usarem serão todos medidos
Pelo critério do Rei serão todos ouvidos
A palavra veio ao mundo limpar, não sentenciar

Parem de ser juízes
Pois o Juiz está à porta

A história continua em nós

Escrita por: João Robson