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Atardecer

Joca Martins

Entardecer

Um matiz caboclo
Pinta o céu de vinho
Pra morar sozinho
Todo o pago é pouco
Todo o céu se agita
O horizonte é louco
Num matiz caboclo
De perder de vista

Amada,
Amada,
Por viver sozinho
Não me apego a nada

O minuano rincha
Nas estradas rubras
Repontando as nuvens
Pelo céu arriba
O Sol poente arde
Em sobrelombo à crista
Quando Deus artista
Vem pintar a tarde

Amada,
Amada,
Por viver sozinho
Não me apego a nada

Um matiz de chumbo
Predomina agora
Vem chegando a hora
De encontrar meu rumo
Ao seu olhar lobuno
Mais além do poente
Onde vive ausente
Meu sonhar reiúno

Amada,
Amada,
Por viver sozinho
Não me apego a nada

Atardecer

Un matiz criollo
Pinta el cielo de vino
Para vivir solo
Todo es poco
Todo el cielo se agita
El horizonte está loco
En un matiz criollo
Que se pierde de vista

Amada,
Amada,
Por vivir solo
No me aferro a nada

El viento del sur silba
En los caminos rojizos
Rebotando en las nubes
Por el cielo arriba
El Sol poniente arde
Sobre la cresta
Cuando Dios artista
Viene a pintar la tarde

Amada,
Amada,
Por vivir solo
No me aferro a nada

Un matiz plomizo
Predomina ahora
Se acerca la hora
De encontrar mi rumbo
A tu mirada lobuna
Más allá del poniente
Donde vive ausente
Mi sueño reúno

Amada,
Amada,
Por vivir solo
No me aferro a nada

Escrita por: Leopoldo Rassier