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Romance del Viejo Poncho

Joca Martins

Romance do Pala Velho

Uma vez fui pra cidade na maldita perdição
Lá perdi meu pala velho que me doeu no coração.
Quando voltei da cidade, vinha com dor na cabeça
Cheguei fazendo promessa, Deus permita que apareça.

Encontrei xirú do posto e não deixei de maliciar
Que ele achou meu pala velho e não queria me entregar
Fui dar parte ao comissário, ficou pra segunda-feira.
Me levaram na conversa, se foi a semana inteira.

Veja as coisas como são, como se forma a lambança
Que pelo mal dos pecados era o forro das crianças.
Com este meu pala rasgado, passava campos e rios
Com este meu palinha velho não temo chuva nem frio.

Foi forro para as carpetas e em carreiras perigosas
"Inté" serviu de agasalho pra muita prenda muita prenda minosa
"Inté" nas noites gaudérias meu pala soltito ao vento.
Ia abandonando pachola pras luzes do firmamento.

Informem nas vizinhanças este triste sucedido
Quem tiver meu pala velho que prendam este bandido.
Neste mundo todos morrem, da morte ninguém atalha.
Me entreguem meu pala velho pra eu levar de mortalha.

Romance del Viejo Poncho

Una vez fui a la ciudad en la maldita perdición
Allí perdí mi viejo poncho que me dolió en el corazón.
Cuando regresé de la ciudad, venía con dolor de cabeza
Llegué haciendo promesas, Dios permita que aparezca.

Encontré al tipo del puesto y no dejé de sospechar
Que él encontró mi viejo poncho y no quería devolvérmelo
Fui a dar parte al comisario, quedó para el lunes.
Me llevaron en la charla, se fue toda la semana.

Mira cómo son las cosas, cómo se arma el lío
Que por los pecados era el abrigo de los niños.
Con este poncho roto, pasaba campos y ríos
Con este viejo ponchito no temo la lluvia ni el frío.

Fue abrigo para las carpas y en carreras peligrosas
Incluso sirvió de abrigo para muchas chicas coquetas
Incluso en las noches gauchas mi poncho suelto al viento.
Iba dejando huellas para las luces del firmamento.

Informen en los alrededores este triste suceso
Quien tenga mi viejo poncho que atrapen a este bandido.
En este mundo todos mueren, de la muerte nadie escapa.
Entréguenme mi viejo poncho para llevarlo de mortaja.

Escrita por: Luiz Coronel / Recolhida Do Folclore