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Horas

Jorge Drexler

Horas

No queríamos dormir
nos queríamos comer el mundo
No podíamos dejar de estar a solas ni un segundo
Ida y vuelta de la cama
a la alfombra voladora
nos bastaba con dejar pasar
dejar pasar las horas

Horas, horas,
colgados como dos computadoras
Horas, horas,
meta echar carbón en la locomotora

Recorriendo aquel edén
de sólo dos metros cuadrados
¿Que será de aquel colchón, de aquel colchón tan maltratado?
Allá íbamos tu y yo
llevados por el remolino
nos dejábamos caer, caer,
caer hacia el destino
Durante horas, horas,
colgados como dos computadoras
Horas, horas,
meta echar carbón en la locomotora

No queríamos dormir
nos queríamos comer a besos
No queríamos dejar de cometer ni un solo exceso
Nos venía a saludar en el balcón la luna llena
Nos bastaba con dejar morir
dejar morir la pena

Horas, horas,
colgados como dos computadoras
Horas, horas,
meta echar carbón en la locomotora

Horas

Não queríamos dormir
Nós queríamos comer o mundo
Não podíamos deixar de estar a sós nem um segundo
Indo e vindo da cama
Ao tapete voador
Nos bastava deixar passar
Deixar passar as horas

Horas, horas
Conectados como dois computadores
Horas, horas
A colocar carvão na locomotiva

Percorrendo aquele Éden
De apenas dois metros quadrados
O que será desse colchão, desse colchão tão maltratado?
Mais além íamos você e eu
Transportados pelo redemoinho
Nos deixávamos cair, cair
Cair era o destino
Por horas, horas
Conectados como dois computadores
Horas, horas
A colocar carvão na locomotiva

Não queríamos dormir
Nós queríamos comer aos beijos
Não queríamos deixar de cometer um só excesso
Vinha nos saudar na sacada a Lua cheia
Nos bastava deixar morrer
Deixar morrer a pena

Horas, horas
Conectados como dois computadores
Horas, horas
A colocar carvão na locomotiva

Escrita por: Jorge Drexler