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Lá fora há um lugar

Jorge Palma

Sinto o sangue dar-me a volta
Sinto a vida andar à solta
Desdobro o mapa e vejo o tempo em movimento
Descubro o espaço, apago a luz do apartamento
Deixo a noite nascer

Eu investigo, não invisto em qualquer estrela
Quem me repara a alma
Se eu der cabo dela
Solto quem me prender

Lá fora há lugar
À espera de mim
Sereno, sincero

Ninguém me afoga a fonte de cada momento
Ninguém me enterra a raiz do pensamento
Ouço as penas voar

Sacudo o saco do segundo que demora
Enchi saco, eu só quero é ir-me embora
Deixo as asas dançar

Lá fora um lugar à espera de mim
Despido, desperto
Bebo o fogo, racho tábuas
Furo os ventos, rasgo as águas

Escrita por: Jorge Palma