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A Mansarda

José Cid

Cansado da vida, cansado de tudo, talvez por viver sem ti
Saí para a rua, meti-me num táxi, pedi para me conduzir
Prós lados de alfama, da velha Lisboa, que outrora eu conheci
Cheguei a praceta, sentei-me num banco, olhei para a casa e vi

Que a mansarda, lá estava
E uma sardinheira subiu
Da janela ao telhado
E a mansarda não mudara
E as águas furtadas fizeram
Lembrar-me o passado

E a tasca da esquina é hoje um café cheio de luzes neon
E a concertina dos tangos e valsas mudou para acordeõn
E um pardal amigo que pela manhã, nos costumava acordar
Ficou no telhado da nossa mansarda, talvez para nos ver voltar

E a mansarda, lá estava
E uma sardinheira subiu
Da janela ao telhado
E a mansarda não mudara
E as águas furtadas fizeram
Lembrar-me o passado

Que a mansarda, lá estava
E uma sardinheira subiu
Da janela ao telhado
E a mansarda não mudara
E as águas furtadas fizeram
Lembrar-me o passado
Que a mansarda, lá estava

E uma sardinheira subiu
Da janela ao telhado
E a mansarda não mudara
E as águas furtadas fizeram
Lembrar-me o passado

Escrita por: José Cid (Portugal)