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Imperfeito

Júlia Rebeca

Era uma vez, eu
Dentro de casa, cansada do mesmo, e aconteceu
Bem nessa vez, eu quis sair
Tudo lá fora atraía com brilho, e eu fugi

Depois dos portões, sonhei
Do mundo, eu era rei
Podia escrever algo novo usando somente minhas mãos
Os sonhos que almejei
As coisas que desejei
O que toquei, alcancei, possuí, me entreguei à ilusão
Mas sei que eu

(Que eu me perdi)
Tentando me encontrar
Foi tão profundo que o poço mais fundo não tem mais lugar pra Ti
Eu percebi, nada ganhei (eu sei)
Os que amei, eu perdi, eu soltei, eu deixei para trás

Mas se eu tentar (se tentar)
Se eu voltar (se voltar)
Será que ainda há lugar?
Eu posso retomar minha direção?

Depois dos portões, eu vi
O erro que cometi
O que conquistei posso ver escorrendo por entre minhas mãos
Os muros em construção
Pra mim, eram proteção
Busquei liberdade, encontrei o perigo, hoje eu sou solidão
Hoje eu sou solidão

Voltarei para casa, essa é a solução
Vou andar, vou correr em Sua direção
Eu cansei da Odisseia movida à (soberba, presunção)
Num instante, eu avisto o Pai se aproximar
Já não sei se há perdão, mas preciso tentar
Eu me lanço aos Seus pés e começo a clamar

Nem sei como vou falar
Não sei se vais me aceitar
Pai, eu me humilho, me torno Teu servo, me deixa voltar

Foi quando Ele me alcançou
Correndo, me abraçou
Eu já era outro, mas Seu amor não mudou
Me disse que perdoou
Há muito me esperou
Se fez meu abrigo (a todos disse o Pai)
Meu filho voltou
Meu filho voltou, uh

Eu não sei quão distante ou perdido estás, mas sei
Que Ele está a te esperar
Eu sei que mesmo que faltem forças e longe sentir
O Pai de amor te encontra
Vida nova, enfim

Escrita por: Gustavo Fernandes, Annelise Santana