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Eu Brasileiro Filho De Deus

Kiko di Faria

Hoje o dia sem dó nem piedade
Me acordou, bem mais cedo, por força da necessidade

O vento, vendo o meu sofrimento
Me sussurrou poesia, me aquecendo com seus versos
E os passarinhos, vieram para mais perto
E cantaram-me, seus segredos
Percebendo que o meu espelho, só refletia, meus medos

O meu reflexo, falando assim desconexo
Cobrou-me o que eu faria
Me chamando a ser poesia, nesse mundo tão pobre de versos

Já reativo, em prece, eu fui buscar, forças no universo
Para assim, me consolar
E Deus, oculto bem aqui dentro de mim
Me sorriu em seu segredo, sem começo e nem fim

Senti o divino arrepio, e mesmo nesse degredo, Minh 'alma
Em mim, reconheceu, a voz divina, que no sideral silêncio
Mil coisas fôra dizendo, Silenciosamente, a meu eu

Sorri, exultante de alegria, pois eu ali reconhecia
Que vivo eu estava em Deus, e ele, vivo estava em mim
Na dureza desgastante, de minha vida diária
Tomamos, café, eu e Deus, e eu, que sou apenas seu filho
Já atrasado corri, para pegar o meu ônibus, saindo pra a rodoviária

E esse, eterno dia duro de todo dia
Eu quero ver terminar, e nunca mais regressar
Para que assim, eu possa enfim, descansar

E talvez, quem sabe um pouco sorrir
Sentado à mesa com Deus, sem pressa, em nossa poesia
Que é assim, silenciosa e bonita, eterna, e cheia de brilho
E que ao final, não faz enredo de carnaval, mas sem falsidade afinal
Nos revela, pai e filho
Nos revela, pai e filho

Escrita por: Kiko di Faria