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Os Cafetões da Pária Madrasta

Kiko di Faria

Alguém, nessa república de semideuses, ainda necessita trabalhar
Eu tenho esposa e filhos e tenho contas a pagar
E nessa minha labuta, eu sei que só tenho a esposa e a Deus para me ajudar

Não uso toga, paletó, nem colarinho, e também não sou patrão
Mas no fim das contas, sou eu que, sem grana e nem padrinho
Com suor e sangue acabo pagando essa conta sozinho

Pai de família, que rala e sofre todo o dia
Que sonha e sempre adia os sonhos que sonhou
Pois nessa pátria madrasta falta tudo para a maioria
É só fadiga e cansaço para o povo trabalhador

Andam dizendo que tudo vai melhorar, e que a coisa agora vai
Vai pro inferno, ou pra casa do caralho
Pois nessa Pátria Madrasta, quem trabalha vive de sonhos
Padecendo e sofrendo nas mãos dos reis do baralho

Enquanto, para uma minoria farta, nada falta, e falo mais, tudo sobra
Vivemos pena de vida nas mãos de heróis tão minúsculos
Somos massa de manobra
E os partidos, que justo, por serem partidos, jamais conceberão o inteiro
Por mais que falem e justifiquem, jamais enxergarão de verdade
O nosso povo brasileiro

Esse guerreiro da paz, que crê em Deus e que morre um pouco a cada dia
Nas mãos dessa Pátria Madrasta, que com sua tirania
Massacra, regando com sangue e suor, a sua vil democracia de minorias

Deixando morrer de inanição o anseio íntimo do trabalhador
De deixar de ser um sofredor e ter um dia bom
Dia bom que dure, e que não seja mera ilusão
Onde os cafetões da pátria, com as suas truculências
Usando de mil violências, prostituem e vendem sem pudor
Os filhos dessa nação

Alguém, nessa república de semideuses, ainda necessita trabalhar
Eu tenho esposa e filhos e tenho contas a pagar
E nessa minha labuta, eu sei que só tenho a esposa e a Deus para me ajudar

Alguém, nessa república de semideuses, ainda necessita trabalhar
Eu tenho esposa e filhos e tenho contas a pagar
E nessa minha labuta, eu sei que só tenho a esposa e a Deus para me ajudar

Escrita por: Kiko di Faria