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Cascuda

Kiko Dinucci

Sai da armadura e deita na cama
Me acaricia com sua garra de leão
Caramujo flor
Chama sua sombra pra ver do canto
Do quarto
A gente se pegar
Deixa a arma sobre a cabeceira
Seu rosto mudar
Como quem muda de máscara
E sai de dentro da casca
Lagarta peluda
Nunca te vi tão de perto
Esses seus olhos tão tristes
Mas o meu corpo não estranha
Atravessa a ponte, o Sol se levanta
Nuvens laranja, no meu peito um arranhão
Caramujo flor
Rasga a cidade com o som da tua ferragem
Silêncio de matar
Sopra o vento e faz no fim de tarde
O tempo mudar
É tempestade nos trópicos
Enquanto sonho de casa
Lagarta peluda
Nunca te vi tão de perto
Esses seus olhos tão tristes
Mas o meu corpo não estranha

Você é fauna inteira
Tá-tá-rá

Escrita por: Kiko Dinucci, Maria Beraldo