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ESTRADA ERRADA

Kleber Ferreira

Estou nesta estrada errada, como um estranho no ninho
Do jardim da minha vida, tirei você, plantei espinhos
Cultivei insegurança, não colhi o fruto do perdão
Sua colheita era esperança, mas eu seguei ingratidão

O futuro agora me alcançou, e essa dor me faz sonhar
Abro meus olhos, há um abismo, que eu já não posso cruzar
Te vejo agora muito longe, uma barreira, uma divisa
E o seu cheiro é uma ferida, que não sara nem cicatriza

Deus, que fardo de indecisão, impuseste no peito?
Se eu pudesse voltar o tempo, corrigia esse defeito
Não deixaria você ir, te prenderia em meus braços
Pois a promessa de amor, eu a fiz em mil pedaços

O futuro agora me alcançou, e essa dor me faz sonhar
Abro meus olhos, há um abismo, que eu já não posso cruzar
Te vejo agora muito longe, uma barreira, uma divisa
E o seu cheiro é uma ferida, que não sara nem cicatriza

Olho pra frente, há escuridão, e meu pranto desce
Não prevejo mais nosso retorno, coração que não se esquece
A vida devia ser um filme, com final feliz pra gente
Mas sigo nesta estrada torta, sem objetivo, indiferente

Sou como um lobo velho, que espera o seu jazigo
Pagando a conta alta da vida, de ter perdido o meu abrigo

O futuro agora me alcançou, e essa dor me faz sonhar
Abro meus olhos, há um abismo, que eu já não posso cruzar
Te vejo agora muito longe, uma barreira, uma divisa
E o seu cheiro é uma ferida, que não sara nem cicatriza

A Lua cheia no céu, traz a memória do nosso amor
Seu brilho me inunda e agora, retrata apenas a minha dor
A saudade aperta, a dor me assola, já prevejo o meu fim
Meu uivo me desperta em uma gaiola, que eu mesmo fiz pra mim

O futuro agora me alcançou, e essa dor me faz sonhar
Abro meus olhos, há um abismo, que eu já não posso cruzar
Te vejo agora muito longe, uma barreira, uma divisa
E o seu cheiro é uma ferida, que não sara nem cicatriza

O futuro me alcançou, e a dor me faz sonhar
Abro meus olhos, um abismo, que não posso cruzar
Te vejo agora muito longe, uma barreira, uma divisa
Seu cheiro fica na memória, ferida que não cicatriza

Só na memória, ah, meu Deus

Escrita por: Kleber Ferreira