395px

Debo

Leo Jaime

Devo

Devo, devo e não nego
Tô com o meu país no prego
Então eu mando uma fatura pro Abreu
Que eu sei que ele não paga e nem eu

Eu já nasci devendo as calças
E pendurei as contas do hospital
Na hora em que eu nasci eu já entrei no cacete
E era o prejuízo do pecado original

Depois eu cresci e me mandaram pra escola
Devendo o do uniforme e já fazendo uns por fora
Pedindo uns tecos, fazendo uns ganhos
E os caras me cobravam pra me dar a cola

Devo, devo e não nego...

E eu já crescidinho merecia um empreguinho
Pra ter um dinheirinho e montar minha casinha
Pra ter o meu carrinho e arrumar uma mulherzinha
E aí eu já podia até pensar num filhotinho

Daí faltou dinheiro pra fazer toda a despesa
Por mais que eu trabalhasse não saia da dureza
Se fosse no cinema não comia sobremesa
O mundo foi rodando e o papagaio aumentando

Devo, devo e não nego...

E se eu puder eu não pago
E se eu puder também não pago

Debo

Debo, debo y no lo niego
Tengo a mi país en la cuerda
Así que le envío una factura a Abreu
Que sé que él no paga y yo tampoco

Ya nací debiendo los pantalones
Y colgué las cuentas del hospital
En el momento en que nací, ya estaba en problemas
Y era el costo del pecado original

Luego crecí y me mandaron a la escuela
Debiendo el uniforme y haciendo algunos extras
Pidiendo prestado, haciendo algunos negocios
Y los tipos me cobraban para darme la respuesta

Debo, debo y no lo niego...

Y ya crecidito merecía un trabajito
Para tener algo de dinero y armar mi casita
Para tener mi autito y conseguir una mujercita
Y ahí ya podía pensar en un hijito

Pero faltó dinero para cubrir todos los gastos
Por más que trabajara, no salía de la pobreza
Si iba al cine, no comía postre
El mundo seguía girando y la deuda aumentando

Debo, debo y no lo niego...

Y si puedo, no pago
Y si puedo, tampoco pago

Escrita por: Leo Jaime