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Zenaide

Leo e Julio

Zenaide

Água de cana, alma de satanás,
Setenta capeta não faz o que a pinga faz,
Desce pinga o buraco sem fim,
Que não encontre "fígu" nem rim,
Aceeeeita "estâmu", que é leite.
A "marvada" pinga que corre nas veia,
Dissolve as tripa, sapeca o "estâmu"
E dizima as lumbriga
E nesse ponto até que é bão
Mas tirando esse ponto a coisa é feia
Deixa a cara inchada e "vermeia"
Faz homem dormir na escada da igreja
E não deixa ele entrar de vergonha.
(Huai, então por quê que "cê" bebe?)
É que a Zenaide me largou
Não esqueço do cheiro e nem do sabor
Não esqueço o dia em que tudo começou
E pra parar com isso eu mergulho na pinga
E do jeito que eu tô não vai sobrar mais nada
Pra contar história
E o pior é que eu acho que é isso que eu quero,
Eu troquei a Zenaide por pinga

Zenaide

Aguardiente, alma del diablo,
Setenta capetas no hacen lo que hace el aguardiente,
Baja aguardiente el agujero sin fin,
Que no encuentre hígado ni riñón,
Acepta estómago, que es leche.
La 'marvada' aguardiente que corre por las venas,
Disuelve las tripas, sacude el estómago
Y diezma las lombrices,
Y en este punto hasta que es bueno
Pero quitando este punto la cosa es fea,
Deja la cara hinchada y 'vermeja',
Hace que el hombre duerma en la escalera de la iglesia
Y no lo deja entrar por vergüenza.
(¿Entonces por qué bebes?)
Es que Zenaide me dejó,
No olvido el olor ni el sabor,
No olvido el día en que todo comenzó
Y para parar con esto me sumerjo en el aguardiente
Y de la forma en que estoy no va a quedar nada más
Para contar historia,
Y lo peor es que creo que es lo que quiero,
Cambié a Zenaide por aguardiente

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