395px

Boi Humeante

Lourenço e Lourival

Boi Fumaça

Num transporte de boiada eu não posso me lembrar
Numa viagem que eu fiz de Goiás prá Cuiabá
Numa sexta-feira Santa, vejam só o que foi se dá
Quando a tarde foi caindo deu um forte temporal

Relampejava e trovejava, clareando o mundo inteiro
O temporal foi deixando os animais em desespero
Nesta viagem nós levava quinhentos bois pantaneiros
E na frente caminhava, um boi Fumaça, traiçoeiro

Mesmo em baixo de chuva nossa viagem continuava
Por não ter lugar de pouso lá onde nós se encontrava
Meu filho era o ponteiro que na frente caminhava
Repicando o seu berrante, a boiada acompanhava

Bem no pé de uma porteira foi assim que aconteceu
Seu burro não encostava, e pra abrir ele desceu
O boi fumaça, investiu e meu filho não percebeu
Na guampa do pantaneiro, no ar ele suspendeu

Fiquei louco nessa hora, quando meu filho gritou
Eu quis salvar a sua vida mas já não adiantou
O chifre do boi fumaça com seu sangue vermelhou
Minhas lágrimas sentidas com a chuva misturou

Perdi meu filho querido, nesta viagem traiçoeira
Mas guardei no coração suas palavras derradeiras
Eu queria ser peão, mas findou minha carreira
Papaizinho me enterre aqui perto dessa porteira

Abandonei essa lida meus prazer pra mim morreram
Mas não posso me esquecer daquele golpe traiçoeiro
Quando escuto um berrante, me arrepia o corpo inteiro
Alembro do filho querido e o tempo de boiadeiro

Boi Humeante

En un transporte de ganado no puedo recordar
En un viaje que hice de Goiás a Cuiabá
En una viernes Santo, miren lo que pasó
Cuando la tarde caía, se desató un fuerte temporal

Relampagueaba y tronaba, iluminando todo el mundo
El temporal dejó a los animales en un gran apuro
En este viaje llevábamos quinientos bueyes pantaneros
Y al frente caminaba un buey Humeante, traicionero

A pesar de la lluvia, nuestro viaje continuaba
Por no tener lugar de descanso donde nos encontrábamos
Mi hijo era el que guiaba, el que iba adelante
Sonando su cuerno, el ganado lo seguía

Justo al pie de una puerta fue así como sucedió
Su burro no se acercaba, y para abrirlo se bajó
El buey Humeante embistió y mi hijo no se dio cuenta
En la cornamenta del pantanero, en el aire lo levantó

Me volví loco en ese momento, cuando mi hijo gritó
Quise salvar su vida, pero ya no sirvió de nada
El cuerno del buey Humeante se tiñó de su sangre
Mis lágrimas sentidas se mezclaron con la lluvia

Perdí a mi querido hijo en este viaje traicionero
Pero guardé en el corazón sus últimas palabras
Quería ser vaquero, pero terminó mi carrera
Papito, entiérrame aquí cerca de esta puerta

Abandoné esta vida, mis placeres se murieron
Pero no puedo olvidar aquel golpe traicionero
Cuando escucho un cuerno, se me eriza todo el cuerpo
Recuerdo a mi hijo querido y el tiempo de vaquero

Escrita por: Sulino, Moacyr dos Santos