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Soziale Identität

Lourenço e Lourival

Jeitão de Caboclo

Se eu pudesse voltar aos bons tempos de criança
Reviver a juventude com muita perseverança
Morar de novo no sítio na casa de alvenaria
Ver os pássaros cantando quando vem rompendo o dia
Eu voltaria a rever o pé de manjericão
A corruíra morando lá no oco do mourão
Os bezerros do piquete e nossas vacas leiteiras
O papai tirando leite bem cedinho na mangueira

Eu voltaria a rever o ribeirão Taquari
Com suas águas bem claras onde eu pesquei lambari
O nosso carro de boi, o monjolo e a moenda
As vacas Maria-Preta, Tirolesa e a Prenda
Na varanda tábua grande cheia de queijo curado
E mamãe assando pão no forno de lenha ao lado
Nossa reserva de mata, linda floresta fechada
As trilhas fundas do gado retalhando a invernada

Queria rever o sol com seus raios florescentes
Sumindo atrás da serra roubando o dia da gente
O pé de dama-da-noite junto ao mastro de São João
Que até hoje perfumam a minha imaginação
O caso é que eu não posso fazer o tempo voltar
Sou um cocão sem chumaço que já não pode cantar
Hoje eu vivo na cidade perdendo as forças aos poucos
Mas não consigo perder o meu jeitão de caboclo

Soziale Identität

Wenn ich in die schönen Kindertage zurückkehren könnte
Die Jugend neu erleben mit viel Beharrlichkeit
Wieder auf dem Land wohnen im Backsteinhaus
Die Vögel singen hören, wenn der Tag erwacht
Ich würde den Basilikum wieder sehen
Die Mauersegler, die im Pfahl wohnen
Die Kalbchen auf der Wiese und unsere Milchkühe
Papa melkt früh am Morgen in der Gasse

Ich würde den Taquari-Bach wieder sehen
Mit seinem klaren Wasser, wo ich den Fisch fangen konnte
Unser Ochsenwagen, die Mühle und die Presse
Die Kühe Maria-Schwarz, Tiroler und die Dame
Auf der großen Terrasse voller gereiften Käses
Und Mama backt Brot im Holzofen daneben
Unser Waldreservat, schöner dichter Wald
Die tiefen Spuren des Viehs durch die Weide

Ich wollte die Sonne wiedersehen mit ihren strahlenden Strahlen
Die hinter dem Gebirge verschwindet und unseren Tag stiehlt
Den Nachtschattengesträuch, neben dem Johannesfestmast
Das bis heute meine Vorstellung parfümiert
Das Problem ist, dass ich die Zeit nicht zurückdrehen kann
Ich bin ein Klotz ohne Wolle, der nicht mehr singen kann
Heute lebe ich in der Stadt und verliere langsam die Kräfte
Aber ich kann meinen Charakter als Landbewohner nicht verlieren

Escrita por: Valdemar Reis, Liu