Poeira da Boiada
Saudade negra saudade que fere meu coração
Trazendo a vida passada na minha imaginação
Os anos me arrastaram longe da infância Florida
Estou chegando ao fim da longa estrada da vida
Meu pai era boiadeiro viajava desde menino
E eu cresci nessa lida, nasci com o mesmo destino
Meu pai morreu nas estradas marcado ao peso da idade
No mundo eu sigo levando e negra cruz da saudade
Sonhando às vezes em delírio, escuto na voz do vento
O triste som de um berrante gemendo em meu pensamento
Sonhando ainda eu vejo a minha rede armada
Ainda sinto a friagem da brisa da madrugada
Estou no fim dessa vida em meu exílio profundo
Recordo as longas viagens pra aqueles ermos de mundo
Hoje eu sou a poeira que o gado faz nas estradas
Que vai sumindo aos poucos, vai se acabando em nada
Polvo de la Manada
Saudade negra, saudade que hiere mi corazón
Trae la vida pasada a mi imaginación
Los años me llevaron lejos de la infancia florida
Estoy llegando al final del largo camino de la vida
Mi padre era arriero, viajaba desde niño
Y crecí en ese trabajo, nací con el mismo destino
Mi padre murió en los caminos, marcado por el peso de la edad
En el mundo sigo llevando la negra cruz de la saudade
Soñando a veces en delirio, escucho en la voz del viento
El triste sonido de un cuerno gemir en mi pensamiento
Soñando aún veo mi hamaca tendida
Aún siento el frío de la brisa de la madrugada
Estoy al final de esta vida en mi exilio profundo
Recuerdo los largos viajes a esos lugares desolados
Hoy soy el polvo que el ganado levanta en los caminos
Que se va desvaneciendo poco a poco, desapareciendo en la nada
Escrita por: LUIZ DE CASTRO / Oswaldo Galhardo