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Cuando el Amor Vacila

Lucas Oliveira

Quando o Amor Vacila

Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.

Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
e dela não me conformo.

Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.

Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo teu jogo triste.

As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.

Eu amo a tua alegria.

Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.

Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.

Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.

Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.

Amo teu sistema de vida e morte.

Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual.

Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.

Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.

Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila.

Cuando el Amor Vacila

Sé que detrás de este universo de apariencias,
con todas las diferencias,
la esperanza se mantiene.

En las tazas sucias de ayer
se sirve el café de cada mañana.
Pero hay una palabra que no soporto escuchar,
y de la cual no me resigno.

Creo en todo,
pero te quiero ahora.

Te amo por tus defectos,
por tu cuerpo marcado,
por tus cicatrices,
por todas tus locuras, mi vida.

Amo tus manos,
incluso si por ellas
no sé qué hacer con las mías.

Amo tu triste juego.

Tu ropa sucia
aquí en casa la lavo.

Amo tu alegría.

Aun estando fuera de ti,
te amo por tu esencia.
Incluso por lo que podrías haber sido,
si las circunstancias
no te hubieran bañado
en las aguas del error.

Te amo en las horas infernales
y en la vida sin tiempo, cuando,
sola, bordo otra toalla
de fin de semana.

Te amo por los niños y futuras arrugas.

Te amo por tus ilusiones perdidas
y por tus sueños inútiles.

Amo tu sistema de vida y muerte.

Te amo por lo que se repite
y nunca es igual.

Te amo por tus entradas,
salidas y banderas.

Te amo desde tus pies
hasta lo que se te escapa.

Te amo de alma a alma.
Y más que las palabras,
incluso si es a través de ellas
que me defiendo,
cuando digo que te amo
más que el silencio de los momentos difíciles,
cuando el propio amor
vacila.

Escrita por: Fernando Pessoa